sexta-feira, 15 de julho de 2011

Palavra Verbo - Cado selbach

Palavra Verbo

Há um duelo permanente em mim:
Entre este que tudo diz... e o outro...
Que tudo esconde!

Um esconder-se dizendo-se
Um dizer-se ao tentar esconder
Palavras secas de sentido
Silêncios úmidos

Boca lacrada

Há um grito poema pretensioso
Pretensiosamente exposto qual poema
Mesmo sem sê-lo bem lá no fundo

Na verdade nada diz
Como bem sabes calado.
Ou talvez diga o bastante
Pra que prefiras calar-te
Ou o prefiras banido

Há palavras de morte
E arte
Palavras de grande porte
Palavras sem data
Nuas e defloradas
E outras - tão bem tratadas
A superar intenções

Palavras sentidas como corte
De sangue jorrando forte
De punhos desesperados

Palavras feitas de nada
Palavra balão de hélio

Palavras sem gravidade

E outras de tom tão grave
Que anunciam a morte
Mesmo do que mais amamos

Nessa hora... ensaiadas
Pra driblarem os horrores
De despedidas forçadas

Palavra afeto isolado
Palavra verbo
sem ato

Compulsivas... tão sem rota


Cado selbach

Um comentário:

TATIANA BRAVO disse...

Adoro esse poema! beijos