terça-feira, 27 de setembro de 2011

SÓ - Cado Selbach



Arrasta o corpo velho
Na velha avenida dos foliões

... Seus passos de hoje
O levam sem pressa
Pra lugar algum
Ou pra qualquer lugar

Qualquer vida vive
Após a derrocada
Da vida que escolhera

Resta-lhe apoiar-se
No andador das lembranças
Fragmentadas, difusas
Emoções encaixotadas

- já etéreas -

Do que antes concretara-lhe
A existência!

Restam-lhe netos invisíveis
E mensagens eletrônicas
Pro velho cibernético

Um livro de rostos jovens.
E o seu! mapa ou tabuleiro
Não de baianas malemolentes
Mas de passos rente aos pés
Rente ao chão que inda lhe resta

Velho abandonado a sua sorte
vira as costas todo dia para a morte
que espia da janela do lavabo
Nos gritos das crianças excitadas

E a cada grito envelhece
E a cada grito entristece
Seu rosto mapa e estrada

Sua expressão de quase medo
Seu tesão por quase nada
Além da lembrança sorridente
Da cinta liga de mulher da vida
Da vida que já faz tempo

Muito tempo

Lhe bastara

Um comentário:

Betto Barquinn disse...

Muito bom! Muito bom mesmo... Parabéns!!!